A PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO
Devemos rezar com perseverança!!!
É, pois, necessário que rezemos com humildade e confiança. Entretanto, isto só não basta para alcançarmos a perseverança final e, com ela, a salvação eterna. As graças particulares que pedimos a Deus, podemos obtê-las por meio de orações particulares. Mas, se não perseverarmos na oração, não conseguiremos a perseverança final, a qual compreende uma “cadeia de graças” e, por isso, supõe orações repetidas e continuadas até a morte.
A graça da salvação não é uma só graça, mas uma “corrente de graças”, as quais vêm todas se unir à graça da perseverança final. Ora, essa corrente de graças deve, por assim dizer, corresponder à outra corrente de nossas orações. Se deixarmos de rezar, rompemos a corrente de nossas orações e, então, se romperá igualmente a corrente das graças, que nos hão de alcançar a salvação e, assim, não nos salvaremos.
Por que Deus não concede a graça da perseverança de uma só vez?
Já que Deus pode e quer dar-me a graça da perseverança, por que não me concede toda de uma só vez, quando lhe peço? São muitas as razões que nos dão os santos padres. Deus não a concede de uma só vez e difere a sua concessão, para, antes de tudo, experimentar a nossa confiança. Depois, diz Santo Agostinho, para que a desejemos mais ardentemente: “os grandes dons exigem um grande desejo, porquanto tudo o que se alcança com facilidade não se estima tanto como o que se desejou por muito tempo, Deus não quer dar-te logo o que pedes, para aprenderes a desejar com grande desejo”.
Outro motivo é para nós não nos esquecermos dele. Se já estivéssemos seguros de perseverarmos e de alcançarmos a salvação e não necessitássemos continuamente do auxílio de Deus para conservarmos sua graça e nos salvarmos, facilmente esqueceríamos dele. A necessidade obriga os pobres a freqüentar as casas dos ricos. Por esta razão, querendo Deus atrair-nos a si, como diz São João Crisóstomo, e ver-nos muitas vezes a seus pés, a fim de nos conceder maiores benefícios, deixa de nos conceder a graça, que completa a nossa salvação, até a hora de nossa morte. “Deus demora em atender-nos, não por repelir as nossas orações, mas para nos tornar mais fervorosos e nos atrair para Si”.
Além disso, Deus age deste modo para que nós, rezando sempre, nos unamos mais estreitamente a Ele pelos doces laços do amor. “A oração, diz São João Crisóstomo, não é um vínculo insignificante do amor de Deus. É ela que nos acostuma a falar com Deus”. Que incentivo e que vínculo de amor são o recurso contínuo a Deus pela oração e a confiança com que esperamos as graças! Quanto nos inflama e une a Deus!
(Santo Afonso de Ligório, A Oração)









