dez
30

As Sete Meditações (Parte 7)

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As Sete Meditações sugeridas por
São Francisco de Sales

Bispo, Doutor da Igreja e Príncipe de Genebra

Escolha entre o Céu e o Inferno

Preparação

1.Põe-te na presença de Deus.
2.Pede a Deus humildemente que te inspire.

Consideração

1.No começo desta meditação imagina que estas numa vasta região com o seu anjo da guarda, mais ou menos como Tobias, o jovem que viajava em companhia do Arcanjo Rafael e que ele abrindo o Céu ante teus olhos, te mostre a beleza e glória dessa mansão, ao mesmo tempo que faz aparecer o inferno debaixo de teus pés.

2.Feita esta suposição, de joelhos, como em presença de teu bom anjo, considera que na realidade te achas neste caminho entre o Céu e o Inferno e que um e outro estão abertos para te receber, conforme a escolha que fizeres.
Mas pondera atentamente que a escolha que pode fazer-se agora, nesta vida, perdura eternamente na outra.

3.Com a escolha que fizeres conformar-se-á a providência de Deus ou usando de misericórdia para te receber no Céu ou de Justiça para te precipitar no Inferno; entretanto, é mais que certo que Deus, por sua bondade, quer sinceramente que escolhas a eternidade de delícias e que teu bom anjo quer te conduzir para lá com todas as suas forças, mostrando-te da parte de Deus os meios absolutamente necessários para merecê-la.

4.Escuta atentamente as vozes interiores que vem do céu convidar-te a ir para lá.Vem, alma querida - diz Jesus Cristo - que amei mais do que meu sangue; estendo-te os meus braços, para te receber no lugar das imortais delícias do meu amor vinde - diz-nos a Santíssima Virgem - não desprezeis a vós e o sangue de meu Filho e os desejos que tenho de vossa salvação, e os pedidos que lhe faço para vos obter as graças necessárias.Vêm - dizem-te os santos, que só desejo a união do teu coração com o deles. - para louvar eternamente a Deus; vem, o caminho do Céu não é tão difícil como o mundo pensa.Nós os vencemos e eis nos tempo enceta-o, mais com coragem e verás que, por um caminho incomparavelmente mais suave e feliz do que o do mundo, chegará o auge da glória e da felicidade.

Escolha

Ó detestável inferno, eu te aborreço com todos os teus tormentos e com tua tremenda eternidade.Detesto em especial essas blasfêmias horríveis e maldições diabólicas que vomitas eternamente contra o meu Deus.Minha alma foi criada para o Céu e é para ai que me leva o anelo de meu coração; sim, paraíso de delícias, mansão divina da felicidade e da glória eterna, é entre os teus tabernáculos santos e ditosos que escolho hoje para sempre e irrevogavelmente a minha morada.Eu vos bendigo, meu Deus, aceitando esta dádiva que Vos aprouve fazer-me.Ó Jesus meu Salvador, aceito com todo o reconhecimento de que sou capaz a honra e graça que me fazeis, de querer amar-me ternamente; reconheço que Sois Vós que me adquiristes estes direitos sobre o Céu; sim, fostes Vós que me preparastes um lugar na Jerusalém Celeste e nenhuma das felicidades desta pátria de gozos reputo igual aquela de Vos amar glorificar eternamente.
Coloca-te debaixo da proteção da Santíssima Virgem e dos Santos; promete-lhes de os servir fielmente, para que te ajudem a conseguir esse Céu, onde te esperam; estende as mãos a teu bom anjo, suplicando-lhe que te conduza para lá; anima a tua alma a perseverar constantemente nesta escolha.

dez
27

A santidade é a grande vocação do cristão

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Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo” (Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gen 1,26), e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16).

S.Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1Pe 2,9).

Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata conseqüência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo” (1Pe 2,5).

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pe 4,3), vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados” (1Pe 4,8).

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11,44).

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5,45). Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44). E mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra” (39).

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5,6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, Nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo: “A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos…(Rom 1,7). Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2). Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5). Aos filipenses ele pede que : “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10). “Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo, a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qual fostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência” (Ef 4,1).

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus” (1 Tess 4,3-5).

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1).

E também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Heb 12,14).

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”. A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:“Os que ele distinguiu de antemão , também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”(Rom 8,29).

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres.

Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar: “Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus” (Gal 2,20).

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai” (Col 1,22).

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial: “Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor, as ovelhas que as suas mãos conduzem” (Sl 94,7).“Sabei que o Senhor é Deus: Somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho” (Sl 99,3).

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo.

O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez: “Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano” (LR,N.17, 7/4/96). “Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana”.

E o Papa resume tudo dizendo que:“A santidade é a plenitude da vida” (LR, N.20, 18/5/96).Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor (Rom 14,7).

dez
26

O Glorioso São José

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Deus quis ter um pai na terra, quis ter uma família; quis começar a Redenção do mundo pela família; por isso escolheu e adotou um pai. Foi uma adoção à avessas: não foi um pai que adotou um filho, mas o contrário.

E escolheu um Santo: José. O homem justo; o único preparado para ser Esposo da Mãe de Deus.

Santo Afonso de Ligório (1696-1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.

São Francisco de Sales (1567-1655),doutor da Igreja; diz que “São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia”.

São Jerônimo (348-420), doutor da Igreja: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

São Bernardo (1090-1153), doutor da Igreja, diz de São José: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.

São Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, diz: “Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais” (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36). Santa Teresa de Ávila (1515-1582), doutora da Igreja :“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter.

Quando José quis abandonar Maria no silêncio, para não difamá-la, o Anjo lhe diz: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.”

Para avaliarmos a grandeza de São José consideremos que Deus, ao escolher alguém para uma missão, dá-lhe graças proporcionais para realizá-la. Além do quê, quanto mais alguém se aproxima da fonte da graça, tanto mais dela participa. Ora, São José esteve intimamente ligado à própria fonte, Jesus Cristo, e à Medianeira de todas as graças, Maria Santíssima.

A missão e predestinação de São José e da Virgem Maria, requeriam uma santidade total; logo, por esta missão totalmente divina de S. José, Deus lhe concedeu todas as graças.

A teologia sobre São José se baseia em dois pontos fundamentas: primeiro, sua união com Maria pelo matrimônio; segundo, seu ministério paternal junto de Jesus Cristo. Ora, toda a mariologia se apóia em um princípio fundamental: Maria é a mãe de Deus. Esta é a razão de todas as graças e privilégios de Maria Santíssima.

São Paulo diz que: “A cada um de nós foi dada a graça na medida do dom de Cristo” (Ef 4, 7). Só Jesus teve a plenitude absoluta da graça, quanto à sua essência e seus efeitos, pela união estreitíssima de sua alma com a divindade. A plenitude relativa de graça, a que chegam os santos, equivale ao que os teólogos chamam de “confirmação em graça”. Quer dizer, certa impecabilidade, que se dá mediante um grande aumento da caridade. A esta se soma uma proteção especial de Deus, que afasta as ocasiões de pecado e fortalece a alma quando necessário, de modo a preservá-la do pecado mortal e até de pecado venial deliberado.

São José, pela sua íntima relação com o mesmo Deus e com Sua Mãe foi confirmado em graça, pelo menos a partir do momento de suas bodas com a Virgem Santíssima.

São José exerceu o ofício de pai dentro da Sagrada Família. A ele coube a honra de dar o Nome ao seu Filho legal no dia da circuncisão, como lhe foi dito pelo anjo. A ele coube também zelar pela segurança de Jesus-Menino e de sua Mãe. E, em todo momento, Jesus obedeceu a São José como a verdadeiro pai (Lc 2, 51).São José fez na Terra o lugar do Pai do Céu diante do Menino Jesus. Não pode haver honrar maior para um homem na Terra.

Na Encíclica “Quamquam pluries”, Leão XIII expõs de maneira profunda a doutrina sobre São José, desde os fundamentos de sua excelsa dignidade e glória até a razão própria e singular de ser proclamado Patrono de toda a Igreja, em 1870 pelo Papa Pio IX, bem como modelo e advogado de todas as famílias e lares cristãos.

O Papa Bento XV, ao cumprir-se meio século da proclamação de São José como Patrono da Igreja universal, em seu motu proprio “Bonum sane”, recordando a necessidade e eficácia da devoção ao santo Patriarca, propõe suas virtudes de modo especial às famílias pobres e aos trabalhadores humildes, tão descristianizados em nossa época neo-pagã.

Diante do presépio, adorando ao Menino Jesus, Salvador da humanidade, venerando Maria, a Mãe santíssima do Senhor, não nos esqueçamos do grande e glorioso São José, que tudo pode diante do Seu Filho que Reina.

dez
26

Maria, bendita entre todas as mulheres

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Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria”*: Lema do Servo de Deus, Papa João Paulo II.

*“Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Recebo-Vos em tudo quanto me diz respeito. Dai-me vosso coração, ó Maria”. Este é o lema do Servo de Deus, o Papa João Paulo II, inspirado em São Luís Maria Grignion de Monfort.

Existem inúmeras formas e fórmulas de consagração à Nossa Senhora, sendo todas válidas, desde que feitas com fé e dignidade, depositando na Mãe do Senhor a esperança de novos tempos para todos os homens e mulheres, filhos e filhas desta mesma Mãe que é advogada, medianeira, intercessora e co-Redentora da nossa salvação.

“Consagrar significa tornar sagrado. Deus consagra Maria…Deus a torna consagrada. Deus consagra o casal…o casal, a família é sagrada diante de Deus e diante dos homens; os religiosos, as religiosas se consagram para Deus…Deus torna-os sagrados para serem testemunhas do seu amor e da sua presença. Muitos leigos e leigas consagram a sua vida (como celibatários, solteiros) para Deus, para estarem mais disponíveis para servi-Lo neste mundo. Como Maria, muitos religiosos e religiosas, no seu processo de vocacionados, se consagram definitivamente a Deus através dos votos de pobreza, castidade e obediência”. (Frei Rinaldo Stecanela – OSM – Revista O Mílite, nº 181, setembro de 2005).

Maria é a serva do Senhor e nós, ao nos consagrarmos a Maria, nos tornamos servos da serva do Senhor. Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a Tua Palavra.

“…Dirijo-me também a Vós, ó Maria, minha Mãe dulcíssima e Senhora. Sabeis que, depois de Jesus, em vós tenho colocado toda a esperança de minha salvação. Reconheço e confesso que toda a minha ventura, minha conversão, minha vocação para deixar o mundo e as demais graças de Deus recebidas, tudo me tem sido dado por Vossa mediação… que eu me ocupe, de todo o coração, em espalhar e promover vossos louvores e confiança em vossa poderosíssima intercessão. Amém. Assim espero. Assim seja”. (Santo Afonso de Ligório, da Congregação do Santíssimo Redentor, em prece de oferecimento de seu livro, Glórias de Maria).

Consagrar-se a Maria é proclamar a todos, rogando por sua intercessão e mediação, advogando em nossa causa, que somente Jesus é o nosso Senhor e somente por Ele é que seremos salvos. A graça expande-se em vossos lábios; eis porque Deus vos abençoou para sempre e por todos os séculos.

Santo Hildefonso de Toledo diz, ao redigir sua fórmula de consagração a Maria: “Rejubilamo-nos por experimentar o suave jugo do teu serviço. Santíssima escrava e Mãe do Verbo… recebes com bondade acolhedora e materna o povo que a ti acorre… Filha de Sião, consagrarás ao Senhor as multidões dos povos… Jesus, consagras a ti as multidões dos povos por meio do mistério da tua bem-aventurada Mãe”.

Também São João Damasceno elabora sua consagração, sendo uma das mais conhecidas ainda hoje: “Também nós, hoje, nos apresentamos a ti, ó Soberana, Mãe de Deus e virgem; unimos nossas almas a ti, nossa esperança, como se a prendêssemos a uma âncora totalmente sólida e inquebrantável, consagrando-te nossa mente, nossa alma, nosso corpo, todo o nosso ser…”.

“Consagrar-se a Maria significa deixar-se ajudar pelo seu exemplo e pela sua intercessão, para encontrar o verdadeiro sentido da vida cristã determinado pelo batismo. Como poderíamos viver o nosso batismo sem contemplar Maria, a bendita entre todas as mulheres, que tão bem recebe o dom de Deus?” (Servo de Deus, Papa João Paulo II).

Ó Maria concebida pecado, rogai por nós que recorremos a Vós e por todos quantos não recorrem a Vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quanto são a Vós recomendados e que ainda não conhecem o Vosso Filho e Senhor nosso, Jesus Cristo.

dez
26

As Sete Meditações (Parte 6)

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As Sete Meditações sugeridas por
São Francisco de Sales

Bispo, Doutor da Igreja e Príncipe de Genebra

Sobre o Paraíso

Preparação

1.Põe-te na presença de Deus.
2.Pede a Deus que te inspire.

Consideração

1.Representa-te uma noite serena e tranqüila e pondera como agradável é para a alma contemplar o céu todo resplandecente ao brilho de tantas estrelas. Ajunta a estes encantos inefáveis as delícias de um claro dia, em que os raios mais brilhantes do sol, entretanto, não encobrissem a vista das estrelas e da lua; e, feito isso, dize a ti mesma que tudo isso não é absolutamente nada, em comparação com a beleza e a glória do paraíso. Oh!Bem merece os nossos desejos esta mansão encantadora. Ó cidade santa de Deus, quão gloriosa, quão deliciosa és tu?

2.Considera a nobreza, a formosura, as riquezas e todas as excelências da companhia santa daqueles que vivem ai; esses milhões de anjos, e serafins e querubins; esses exércitos inumeráveis de apóstolos, de mártires, de confessores, de virgens e de tantos outros santos e santas. Oh! Que união bem-aventurada a dos santos da glória de Deus. O menor de todos é mil vezes mais belo que o mundo inteiro; que dita será então vê-los todos juntos!Meu Deus, que felizes são eles! Sem cessar e sem fim levam á cantar os doces cânticos do eterno amor; regozijam-se num jubilo perene; dão-se mutuosamente mil motivos de gozo e vivem cercados das consolações indivisíveis de uma companhia feliz e indissolúvel.

3.Considera muito mais ainda o auge de sua bem-aventurança, o qual consiste na felicidade de ver a Deus, que os honra e inunda de gozos pela visão beatífica, fonte de bens inumeráveis, pela qual ele emite todas as luzes da sabedoria em suas mentes e todas as delícias do amor em seus corações. Que felicidade ver-se ligado tão estreitamente e para sempre a Deus com laços tão preciosos! Cercados e compenetrados de divindade, como os passarinhos no ar, ocupam-se dia e noite unicamente de seu criador, adorando-O continuamente, amando-O e louvando-O sem cansaço e com uma alegria inefável: - bendito sejais para sempre, soberano Senhor e criador. Nosso amantíssimo, que com toda a bondade manifestais em nós a vossa glória, pela participação que nos concedeis.E ao mesmo tempo Deus os faz ouvir aquelas palavras ditosas:Abençoado sejais, criaturas minhas, com a benção eterna, que me servistes com fidelidade; vós louvareis perpetuamente o Vosso Senhor na união mais perfeita do seu amor.

Afetos e Resoluções

1.Entrega-te à admiração de tua pátria celeste.Oh! Quão formosa, rica e magnífica és tu, minha Jerusalém querida, e quão ditosos teus habitantes!

2.Repreende a tua frouxidão em progredir o caminho do Céu.Porque fugi assim de minha felicidade suprema?Ah!Miserável que sou! Mil vezes renunciei a estas delícias infinitas e eternas, para ir atrás de prazeres superficiais, passageiros e misturados de muita amargura.Onde tinha a cabeça, quando desprezei assim os bens estáveis e dignos de almejar, por causa dos prazeres vãos e desprezíveis?

3.Reanima, entretanto, tua esperança e aspira com todas as tuas forças a esta estância de delícias, ó amantíssimo e soberano Senhor, já que Vos aprouve reconduzir-me ao caminho do Céu, nunca mais me desviarei dai, nem reterei meus passos, nem voltarei atrás.Vamos, minha alma querida, embora custe algum cansaço; vamos a esta estância de repouso; caminharemos sempre avante para esta terra abençoada, que nos foi prometida; que estamos nós a fazer no Egito?
Privar-me-ei, pois, disto e daquilo, destas coisas que me apartam do meu caminho ou me fazem parar.
Farei isto e aquilo, tudo que pode servir a me conduzir e a adiantar no caminho do Céu.

Conclusão

Agradece…oferece…ora, etc.Pai-Nosso, Ave-Maria.

dez
25

E o Verbo Divino se fez Carne…

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Jesus Cristo é o Senhor da História. A data do seu Nascimento marca o ponto Zero. Ele é o centro de Referência; nenhum líder no mundo teve tantos discípulos como Ele; hoje são cerca de dois bilhões de pessoas. Por isso, o seu Natal é um acontecimento singular na História. Ele veio para salvar o mundo.

Depois da queda de Adão e Eva no pecado, afastando toda a humanidade de Deus, eles foram afastados do Paraíso, mas Deus prometeu um Salvador; Ele viria por uma Virgem, uma vez que foi por uma virgem que o pecado entrou no mundo.  Pelo mesmo caminho que veio a des-graça, viria a Graça.

A Sagrada Escritura diz: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gn 3, 15)

E quando chegou a “plenitude dos tempos” (Gl 4, 4) Deus enviou o seu Anjo à Virgem para anunciar:” “Ave, cheia de Graça! O Senhor é contigo… O Espírito Santo descerá sobre Ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o Santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus”.

“Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Serás Mãe e terás um filho ao qual darás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará sobre à casa de Jacó eternamente; e o seu reino não terá fim” (Mt 1, 20-21).

Cumpria-se a antiga Promessa: “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. ” (Is 11, 1-2)

“Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.” (Is 7, 14)

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (Jo 1, 1-16)

Jesus veio para implantar na Terra o Reino de Deus; Ele será como mostra o profeta Isaías:

“O povo que andava nas trevas viu um grande luz, sobre aqueles que habitavam na região da morte resplandeceu uma luz… porque um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre os seus ombros, e Ele se chama: Conselheiro Admirável, Deus forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. O seu Império será grande, e a paz sem fim.” (Is 91-6)

“Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar. Naquele tempo, o rebento de Jessé, posto como estandarte para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será a sua morada.” (Is11,1-10 )

Mas, Jesus é “sinal de contradição”  como  disse o velho Simeão a Maria e a José no dia de sua apresentação no Templo. Diante Dele ninguém fica indeferente; ou é contra ou é a favor.

Diz São João que: “Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam…Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.”

Ele veio para  o que era seu, mas os seus não o receberam; as trevas fogem da luz para que as suas más obras não apareçam; é calada da noite que agem os bandidos, salteadores, corruptos…

Mas Ele é  “a Luz que ilumina todo homem e mulher que vem a este mundo”. “Quem não conhece Jesus Cristo, permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”, disse o Papa João Paulo II na encíclica “Jesus Cristo Redentor do homem”, de 1979. Sem Jesus Cristo o homem é neste mundo como um bêbado no escuro; perdido: não sabe de onde veio; não sabe para onde vai; não sabe o sentido da dor, da morte, da vida, nada…

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu Nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.”

A mais precisa definição sobre o homem é esta: “um filho amado de Deus”, mas somente quem abraçou Jesus Cristo experimenta quão doce é ser filho de Deus.

Esta é a grande alegria de ser cristão; é a grande alegria de celebrar o Natal do Senhor que veio para se fazer nosso Irmão, e assim, nos tornar filhos de Deus nele.

Um Feliz e Santo Natal!

dez
25

Por que Deus escolheu Belém para nascer?

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Geralmente, destaca-se apenas o lado modesto desta pequena cidade de Judá, que no tempo de Jesus fazia parte do território do rei Herodes, o Grande. Jesus, nesse sentido, escolheu a modéstia, a humildade como sendo a base sobre a qual construiria seu reino. Para você que deseja conhecer um pouco mais, aqui apresentamos uma meditação com base nos trechos bíblicos, onde Belém é presente.

“Eles partiram de Betel. Faltava uma pequena distância para chegar a Éfrata, quando Raquel deu à luz. Seu parto foi doloroso e, como desse à luz com dificuldade, disse-lhe a parteira: ‘Não temas, é ainda um filho que terás!’ No momento de entregar a alma, porque estava morrendo, ela o chamou de Benoni, mas seu pai o chamou de Benjamim. Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Éfrata que é Belém” (Gn 35,16-19).

Detalhe: esse caminho onde Raquel deu à luz, é o mesmo percorrido por José e Maria que estava prestes a dar à luz

O parto foi doloroso e muito difícil, por isso Raquel dá ao seu filho o nome Benoni, que significa “filho da minha dor”. Para o judeu, dar um nome a um filho significa revelar a sua identidade. Benoni seria, portanto, um homem que viveria na dor. Jacó, seu pai, muda o nome da criança para Benjamim, que significa “filho da direita”, “filho da minha alegria”.

Séculos depois, quando o povo estava prestes a entrar na Terra Prometida, Deus abençoa a tribo de Benjamim dizendo: “O amado do Senhor repousa tranqüilo junto a ele; o Altíssimo o protege todo o dia” (Dt 33,12). Benjamim e seus filhos seriam, assim, os amados do Senhor, aqueles que receberam a bênção da paz e da alegria.

Belém é o lugar onde Deus transforma a dor em alegria.

Em Belém, viveu também Noemi, seu nome significa “minha doçura”, após a morte de seu marido e de seus filhos, ela quis ser chamada de Mara “a amarga”, porque assim estava sendo a experiência de sua vida. Seu único apoio era Rute, a qual após a morte de seu marido, escolheu ficar com Noemi. Elas viviam na pobreza e no sofrimento, até que Deus as visitou, colocando Booz na vida de Rute. Com isso, Noemi não seria mais desamparada e Rute recebeu uma bênção profética: “Que o Senhor torne essa mulher que entra em tua casa semelhante a Raquel e a Lia, que formaram a casa de Israel. E que, graças à posteridade que o Senhor te vai dar desta jovem, tua casa seja semelhante à de Farés, que Tamar deu à luz para Judá” (Rut 4,11-12).

Rute foi a bisavó do rei Davi!

Belém é o lugar onde Deus dá esperança aos desesperados.

Deus havia se “arrependido de ter feito” Saul rei de Israel (cf. 1Sm 15,35) e por isso, envia o profeta Samuel à Belém para eleger Davi, um “homem segundo o seu coração”. Davi de humilde pastor se torna rei de Israel. E Deus lhe promete que de sua descendência nasceria o Messias.

Belém é o lugar onde se cumpre a palavra “derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1,52).

Nessa cidade, nasceram também os bravos soldados de Davi: Joab, Abisai e Asrael, estes marcaram a história de Israel por sua coragem em dar a vida pelo reino de Davi.

Belém é terra de heróis, daqueles que combatem pelo Reino dos céus.

A pequena cidade porta consigo uma grande profecia: “Mas tu, Belém, Éfrata, embora o menor dos clãs de Judá, de ti sairá para mim, aquele será o dominador em Israel” (Mq 5,1)
A profecia se realiza em Jesus, descendente de Davi, “nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt 2,1). Belém é, portanto, o lugar onde o Verbo feito carne no seio de Maria vem ao mundo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Belém é o lugar onde o homem-Deus, transformou nossa dor em alegria, nosso desespero em esperança, nossa fraqueza em força, onde demonstra, que os humildes são os maiores de seu reino.

E, por último: por que Jesus nasceu em Belém?

Para humanizar a divindade e divinizar a humanidade (cf. CIC 526)

dez
21

Ganhadores da Campanha Doe, Participe e Concorra de Natal!!!

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 1º PRÊMIO – 01 TV Plasma 42’
Nome: Marina dos Santos
Cartela: 89077
Icaraí - Caucaia

 

2º PRÊMIO – 01 Notebook
Nome: Irinete C Nogueira
Cartela: 278446
Patacas – Aquiraz – CE

 

3º PRÊMIO – 01 Notebook
Nome: Maria E. Monteiro

Cartela: 187859
Caucaia – CE

 

4º PRÊMIO – 01 Geladeira 280 lt
Nome: José Ruthenio T Pinto
Cartela: 289723
Ant. Bezerra – Fortaleza – CE

 

5º PRÊMIO – 01 Fogão 6 bocas
Nome: Maria G Bezerra

Cartela: 87888
Conj. Ceará – Fortaleza – CE

 

6º PRÊMIO – 01 Aparelho de DVD
Nome: João Fernandes T Neto
Cartela: 210144
João XXIII – Fortaleza – CE

 

7º PRÊMIO – 01 Ventilador
Nome: Adriana O Dutra Braga
Cartela: 21451
Itapipoca - CE
 

Deus abençoe a todos que nos ajudaram em mais uma campanha, contribuindo, com sua doação, para o progresso do evangelho!

dez
21

São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja

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Procure ver Deus em todas as coisas sem exceção, e disponha-se a fazer a vontade dEle com alegria. Faça tudo para Deus, unindo-se com Ele por palavras e obras.”

Os anos convulsionados na França, depois da Reforma Protestante, formaram o pano de fundo da vida de Francisco de Sales. Ele nasceu no dia 21 de agosto de 1567, de uma família nobre, no reino da Sabóia, situado entre a França, Itália e Suíça. Ele estudou no Colégio de Clermont dos Jesuítas, em Paris, e na Universidade de Pádua, onde se doutorou no Direito Canônico e Civil.

Sendo estudante em Paris, teve que enfrentar a tempestade de uma severa crise espiritual, ao sofrer a tentação de desespero referente à predestinação.

Para o seu pai, foi uma grande decepção que Francisco não aceitou uma carreira esplêndida no mundo, mas preferiu o sacerdócio. Depois da ordenação, o seu bispo o enviou como jovem missionário para Chablais, distrito da Sabóia, por quatro anos. Lá ficou famoso por seus folhetos em defesa da fé e, mal e mal, se escapou de um atentado contra sua vida. Os seus escritos dessa época foram publicados com o título Controvérsias e a Defesa do Estandarte da Santa Cruz. Ao finalizar o seu apostolado de missionário, ele tinha conseguido que cerca de 72.000 Calvinistas voltassem para a Igreja Católica.Foi ordenado bispo de Genebra em 1602, mas residia em Annecy (agora situada na França), já que Genebra estava sob o domínio dos Calvinistas e ficou fechada para ele.

Sua diocese tornou-se muito conhecida na Europa por motivo de sua organização eficiente, seu clero zeloso e os leigos bem esclarecidos — uma realização monumental naquela época. A sua fama como diretor espiritual e escritor aumentava.Convenceram-no que reunisse, organizasse e expandisse suas muitas cartas sobre assuntos espirituais e as publicasse. É o que ele fez em 1609, com o título Introdução à Vida Devota. Essa se tornou a sua obra mais famosa e, ainda hoje, é uma obra clássica que se encontra nas livrarias no mundo inteiro.

Mas o seu projeto especial foi o escrito do Tratado do Amor de Deus, fruto de anos de oração e trabalho. Este também continua sendo publicado hoje. Ele queria escrever também uma obra paralela ao Tratado, ou seja, sobre o amor ao próximo, mas a sua morte no dia 28 de dezembro de 1622, aos 55 anos de idade, o impossibilitou. Além das obras mencionadas acima, suas cartas, pregações e palestras ocupam cerca de 30 volumes. O valor permanente e a popularidade dos seus escritos levou a Igreja a conceder-lhe o título de Padroeiro de Escritores Católicos.

Ele colaborou com Santa Joana de Chantal na fundação da ordem religiosa das Irmãs da Visitação de Santa Maria, conhecidas pela simplicidade da sua regra e tradições e por sua abertura especial a viúvas. Foi através da persistência de uma destas irmãs, uns 250 anos mais tarde, a Madre Maria de Sales Chappuis, que um sacerdote de Troyes, na França, Luís Brisson, fundou os Oblatos de São Francisco de Sales, uma comunidade de sacerdotes e irmãos, dedicados à vida e divulgação do espírito e dos ensinamentos de São Francisco de Sales. Padre Brisson fundou também uma comunidade de irmãs com o mesmo nome, Oblatas de São Francisco de Sales.

O espírito e a fama de Francisco e a influência dos seus escritos se estenderam rapidamente depois de sua morte. A Igreja o declarou santo formalmente em 1665 e lhe deu o título excepcional de Doutor da Igreja em 1867 - um título outorgado só a uns 30 santos na história da Igreja que são famosos por seus escritos. A sua festa a Igreja celebra no dia 24 de janeiro.