Não existe nenhum talento no ser humano que não tenha sido lapidado para apresentar-se, realmente, como grande. Os grandes atletas, por exemplo, demonstram não as suas capacidades naturais adquiridas, mas suas capacidades naturais desenvolvidas.
O mesmo ocorre dentro de nós no tocante ao amor, a fé, esperança e todas demais virtudes. Nós as possuímos mas é preciso desenvolve-las para que fiquem realmente fortes e belas. Pensando novamente no treinamento de um atleta, o vemos sendo experimentado em seus limites, isso é que o faz crescer, e quando ele aceita o treinamento este passa a ter efeito transformador em sua vida. O mesmo acontece com a escola das virtudes e com o aprendizado da esperança.
Basicamente temos quatro escolas de esperança: A oração, o agir, o sofrimento e o juízo.
A primeira e essencial escola de aprendizado da esperança é a oração. Quando ninguém mais nos escuta, Deus ainda nos ouve.
A oração rompe com a solidão por nos trazer a presença de Deus. Quando já não podemos falar com ninguém nem invocar mais ninguém, ainda podemos falar com Deus, sempre.
Se não há mais ninguém que possa nos auxiliar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Deus ainda pode nos ajudar. É na oração que o coração do homem é dilatado e purificado para poder receber os dons sobre os quais a grande esperança se orienta.
A segunda escola da esperança é o agir. Toda ação séria e reta do homem é esperança em ato, pois é pela ação que procuramos concretizar as nossas esperanças menores e maiores. Porém, somente a grande esperança pode dar sentido a todo nosso jeito de agir.
É importante saber que podemos sempre continuar a esperar, ainda que, por nossa vida ou pelo momento histórico que estamos vivendo, aparentemente, não se tenha mais qualquer motivo para ter esperança. É a grande esperança, apoiada nas promessas de Deus, que, tanto nos momentos bons como nos maus, nos garante a coragem e orienta o nosso agir.
A vida é construída em nosso agir, o fim dela é a incapacidade de realizar alguma ação. Enquanto somos capazes de transformar o mundo estamos esperançosos de um mundo melhor.
O sofrimento faz parte da existência humana e é uma outra escola de exercício de esperança. A esperança não é poder eliminar todo sofrimento deste mundo.
Não é o evitar o sofrimento nem a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e, mesmo permanecendo nela, amadurecer; de encontrar o seu sentido através da união com Cristo que sofreu com infinito amor.
A partir da encarnação do Filho de Deus, que se fez homem para poder padecer de modo muito real – na carne e no sangue – que entrou, em todo o sofrimento humano, Alguém que partilha o sofrimento e a sua suportação. A partir daí, propaga-se em todo o sofrimento a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo, assim, a estrela da esperança. Deste modo, podemos também “oferecer” nossos pequenos e grandes sofrimentos, inserindo-os no grande “com-padecer” de Cristo.
A última escola de esperança é o juízo de Deus. Aquilo que nesta vida não for resolvido, as injustiças não superadas e o sofrimento sem sentido originado da falta de compaixão de alguns, terão, na glória de Deus, uma resposta. Não seremos injustiçados para sempre.
A última esperança é a justiça de Deus, que não aguarda o mal a quem fez o mal, mas espera a consolação daqueles que não puderam ser consolados e que, às vezes, somos nós mesmos.
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Encontro aqui um alimento sólido para a minha alma.
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