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Sobre o Discurso que o Papa não pôde fazer

Posted on jan 18, 2008 by Larissa in Igreja | 0 Comments

O Papa Bento XVI não realizará sua visita programada para 17 de janeiro à Universidade pública de Roma «La Sapienza», por causa dos protestos de um grupo de  professores e estudantes, que, entre outras coisas, ocuparam a Reitoria.  O Papa foi convidado pelo Reitor para visitar a universidade. Mas o Santo Padre enviará o discurso que havia preparado.

O professor Renato Guarini, reitor da universidade que tem o maior número de alunos da Europa, esperava o Papa como  «mensageiro da paz», como ele disse, para viver «um momento de alta cultura» e de «intercâmbio fecundo de idéias para toda a comunidade universitária». Afinal de contas o Papa sempre foi um grande professor universitário, catedrático reconhecido no mundo todo.

É bom relembrar que essa maior universidade pública de Roma foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de “Studium Urbis”. O Vaticano divulgou o discurso que o Papa Bento XVI pretendia fazer durante sua visita à Universidade La Sapienza a professores e alunos. Nele o Papa afirmava que não buscava “impor a fé” e lembra que esta era a universidade dos pontífices e hoje “é uma instituição laica” com plena autonomia. Isto é, nasceu pelas mãos da Igreja e hoje é do Estado.

O Papa diria ainda em seu discurso que um papa que comparece a uma universidade “não vai tentar impor de forma autoritária a fé”, mas sua missão é “convidar sempre à razão, à busca da verdade, do bem, e de Deus”. Ele explica que sua visita seria feita como “pastor da comunidade católica”, e que sua figura “se tornou cada vez mais uma voz da razão ética da humanidade”. O Papa diz em seu discurso que “fala como representante de uma comunidade que guarda em si um tesouro de conhecimento e de experiência ética, que é importante para toda a humanidade”. E até admite que “várias coisas ditas pelos teólogos durante a história (…) se demonstraram falsas e agora confundem-nos”.

Acrescentava ainda que “a mensagem cristã, segundo suas origens, tem que ser sempre um empurrão rumo à verdade e uma força contra a pressão do poder e dos interesses”. E o Papa falaria também da missão do Papa e do papel da universidade. Ele também teria feito uma referência sobre a que “o perigo do Ocidente” é que “se renda perante os assuntos da verdade” e “ceda perante a pressão dos interesses”.

Lamentavelmente, a Universidade, inventada e fomentada pela Igreja no mundo todo, desde a Idade Média, parece ser hoje a grande opositora da Igreja católica, paradoxalmente; e alimentando um laicismo agressivo e discriminatório contra a Igreja.

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