O amor a Jesus Cristo
“Toda a santidade e toda a perfeição de uma pessoa consiste em amar a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso maior bem, nosso Salvador.”Esta é a frase com a qual Santo Afonso de Ligório inicia uma de suas obras: “A Prática do Amor a Jesus Cristo.” Sabemos que Deus é amor, e que, por amor, enviou seu filho para nos salvar. Mas este também quer de nós o nosso amor. Como, pois, podemos retribuir esse amor? Como podemos amar a Jesus Cristo? Quais os “sintomas” da alma que é verdadeiramente apaixonada por Jesus?
Para os apaixonados, o amor nasce muitas vezes do olhar. Através da experiência de olhar nos olhos de alguém, você sente-se “conquistado”. É o chamado amor à primeira vista. Com Jesus também é assim. Por mais que uma pessoa tenha ouvido falar de Jesus, possa admirar seus ensinamentos, considerá-lo um sábio, enquanto ela não tiver a experiência de olhar nos olhos de Jesus, de contemplar a pessoa de Jesus, ela não se apaixonará por Ele. Mesmo um cristão que vá à missa todos os domingos, se não olhar para o Salvador, nosso Divino Mestre, nunca será sedento de amor por Ele. O Senhor Jesus revela para nós todo o seu amor e conquista para ele nossas almas quando meditamos em Sua Paixão. Diz Santo Afonso que “isto quase nos obriga e nos força a amá-lo.” E o Apóstolo Paulo: “O amor do Cristo nos constrange...”(II COR 5,14). É por isso que, muitas vezes, ao estarmos diante de um crucifixo, ou ao assistirmos a uma peça ou filme sobre a Paixão de Cristo, ou mesmo lendo os Evangelhos, nos sentimos tomados por uma profunda dor pelos pecados e amor por Jesus. De fato, todos os santos de nossa Igreja tinham por hábito meditar sobre a Paixão de Cristo. Diz São Boaventura que “Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias na Paixão do Senhor.”
Uma outra característica dos apaixonados é nunca querer desagradar o amado, nunca fazê-lo sofrer. Procurar sempre conhecer o que lhe agrada e fazê-lo, mesmo que isto custe muitos sacrifícios. A alma que ama a Jesus também desenvolve esse dom: é o temor a Deus. Os santos tinham um profundo receio de ofender a Deus, pois tinham a consciência de que o pecado, por menor que seja aos olhos do homem, fere gravemente o coração de Jesus, que se deixou humilhar e matar pelo perdão de nossos pecados. Escreveu, certa vez, São Pe. Pio: “Somente o medo de ofender de novo o meu Deus me faz ter calafrios, me causa angústia e agonia”. E ainda: “De uma só coisa deve a alma entristecer-se: da ofensa a Deus, e mesmo quanto a isso é necessário ser muito cauteloso. Devemos, sim, lastimar nossas faltas, mas com dor pacífica, sempre confiante na divina misericórdia.”
O amor a Jesus também infunde na alma o amor ao sofrimento, pois ela também quer carregar a Cruz junto com o Salvador. Ela é paciente nas tribulações e nas dores, confia na sabedoria de Deus e procura imitar as virtudes do Salvador, aquelas citadas em I COR 13: “A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
Santo Afonso, na obra acima citada, descreve os sinais que acompanham aqueles que amam a Jesus:
- É TEMEROSO, e o seu medo é de dar desgosto a Deus;
- GENEROSO, cheio de confiança em Deus, tudo faz para sua glória;
- É FORTE, pois resiste a todas as más inclinações mesmo nas mais violentas tentações, e nos mais profundos sofrimentos;
- É OBEDIENTE, porque procura seguir imediatamente a voz de Deus;
- É PURO, amando somente a Deus e só porque Deus merece ser amado;
- É ARDENTE, porque desejaria inflamar todos os corações, vendo-os consumidos pelo amor de Deus;
- É ARREBATADOR, pois arrasta a alma e a faz viver como que fora de si mesma, como se não visse, não ouvisse e não tivesse mais os sentidos para as coisas da terra. Atenta só em amar a Deus;
- É UNITIVO, unindo estreitamente a vontade da criatura à vontade de seu Criador;
- É DESEJOSO, porque enche a alma do desejo de deixar a terra para unir-se perfeitamente a Deus no Paraíso, a fim de amá-lo com todas as suas forças.
Praticar o amor a Jesus, Viver por Ele, Para Ele e Com Ele não é algo possível somente aos santos canonizados pela Igreja. Deve ser a maior aspiração de todos os batizados, pois para isso fomos criados. É este também o primeiro mandamento da Lei de Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.” (Deut. 6,5). Podemos começar praticando pelas pequenas coisas, como perdoar aqueles que nos ofendem, agradecer a Deus por tudo, pensar nele sempre, estar mais tempo em oração. O que Deus mais quer nós é o nosso amor. Será que um Deus tão amoroso e bondoso não o merece? Que o nosso coração arda de amor pelo Senhor Jesus, para que assim, vivendo no amor, cumprindo os mandamentos de Cristo, trilhemos o caminho da santidade, que nos levará ao Céu.
Edilene de Freitas Ferreira
Profª. Escola de Formação - COT |