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O Batismo é o nascimento. Como a criança que nasce depende dos pais para viver, também nós dependemos da vida que Deus nos oferece. No Batismo, a Igreja reunida celebra essa experiência de sermos dependentes, filhos de Deus. Pelo Batismo, participamos da vida de Cristo. Jesus Cristo é o grande sinal de que Deus cuida de nós.
O santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos demais sacramentos. Pelo Batismo somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão: "Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo - O Batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra".
Quando recebemos o Sacramento do Batismo, transformamo-nos de criaturas para Filhos Amados de Deus. Muitos pensam que os sacramentos em geral são obras eclesiásticas, ou seja, os sacramentos são "invenções" da Igreja. Isso não é verdade, os sacramentos são sem sombra de dúvidas criadas por Jesus Cristo, o próprio Deus Encarnado.
O profeta João Batista, primo de Jesus, que veio ao mundo para preparar os caminhos para a vinda do Messias, era quem batizava as pessoas para a vinda de Cristo (Mc 1, 2s). Ele sabia que o seu Batismo era temporário, pois logo depois dele viria o seu primo Jesus, que batizaria no Espírito Santo, ou seja, o profeta batizava com água e Jesus batizava com o Espírito Santo. A Bíblia sugere o batismo de todos, o que inclui as crianças.
Atos 2, 38-39: "Disse-lhes Pedro: 'Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos que estão longe - a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar'." E também outras passagens. (ver Atos 16, 15; Atos 16, 33; Atos 18, 8; 1Coríntios 1, 16)
Todo aquele que crendo em Jesus Cristo pedir conscientemente este sacramento à Igreja. O Batismo é o sacramento da fé. A gente o recebe para ser cristão, para ser verdadeiro discípulo do Senhor e fazer parte de sua Igreja. Por isso mesmo nenhum adulto pode ser batizado antes de pelo menos um ano de preparação. Uma vez terminada tal preparação e estando claro que aquele que solicitou o sacramento vai vivê-lo de modo empenhado, a candidato é admitido ao Batismo.
Este é de Tradição apostólica. É bem possível que quando o Novo Testamento afirma que “casas” inteiras eram batizadas, aí estivessem incluídas também as crianças. Vários Padres da Igreja Antiga atestam que desde os Apóstolos a Igreja batiza os pequeninos. Já no início do século II esta prática é atestada e sempre foi praticada. Os primeiros a discordar dela foram os anabatistas, ramo protestante do século XVI, sem nenhuma razão teológica séria. Ainda hoje as Comunidades protestantes batizam crianças sem problema algum. Batizando crianças a Igreja cumpre o preceito do Senhor: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais” (Mt 19,14).
Uma questão que se coloca é a seguinte: como podem as crianças serem batizadas se ainda não têm vontade própria nem têm fé? O Batismo é o sacramento da fé! Isso é verdade, mas é necessário observar que a fé tem necessidade da Comunidade dos crentes, da Igreja: cada um dos crentes somente pode crer na fé da Igreja. Creio na fé da Igreja, creio no Cristo anunciado pela Igreja! Ora, a criancinha é batizada na fé da Igreja, representada pelos seus pais e padrinhos que deverão educá-la e fazê-la madura na fé. Aliás, a fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo, que deve desenvolver-se. É precisamente esta a função do padrinho e da madrinha: ajudar o batizado (criança ou adulto) no desenvolvimento de sua fé. Agora o que não tem sentido mesmo é batizar por batizar: os pais pedirem o Batismo para seus filhos sem nenhum compromisso de educá-los na fé. Neste caso, o Batismo poderia ser negado!
Uma outra coisa muito bonita é que a Igreja, ao batizar crianças, quer recordar a gratuidade pura da salvação que Deus nos oferece: não é mérito nosso: vem de Deus... é puro dom!
Aliás, os pais que desejam o melhor para seus filhos, como não desejariam para eles que se tornassem logo filhos de Deus? Não é isso o mais importante de nossa vida?
Jesus instituiu o Batismo logo no início da sua pregação, quando entrou no rio Jordão para ser batizado por São João Batista. O Batismo de João não era um Sacramento. Só quando Jesus santifica as águas do Jordão com sua presença e que a voz do Pai se faz ouvir: "Este é meu Filho bem amado, em quem pus minhas complacências", e que o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba (foi então uma visão da Santíssima Trindade), é que fica instituído o Batismo.
Essa instituição será confirmada por Jesus quando Ele diz a seus Apóstolos: "Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Leia na Bíblia, no Evangelho de São Mateus, o Capítulo 3, Versículo 13.
São ministros ordinários (normais) o Bispo, os padres e os diáconos, mas em caso de necessidade, qualquer pessoa, mesmo não batizada, que tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz quando batiza, pode batizar, utilizando a fórmula: “Fulano, eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
Claro, um leigo somente pode batizar assim em caso de real necessidade. Por exemplo, uma criancinha que esteja às portas de morte e não se possa chamar o ministro ordinário. Caso aquela criança melhore, deve-se levar à igreja para que o padre celebre os ritos complementares e anote seu nome no livro dos batizados.
Fundamentalmente a água. O Batismo pode ser feito por tríplice imersão ou infusão, isto é, derramando-se três vezes a água na cabeça da criança e pronunciando-se as palavras rituais: “Fulano, eu te batizo...”
Há ainda alguns ritos complementares: o sinal da cruz (significando que o que será batizado pertence a Cristo), a leitura da Palavra de Deus (que suscita a fé na qual a pessoa será batizada), a imposição da mão e a unção do peito (significando que a força de Cristo toma conta da pessoa, expulsando todo influxo do Diabo), a renúncia a Satanás e a confissão da fé católica, a unção com o Santo Crisma (simbolizando que o batizado foi ungido como Cristo pelo Espírito Santo), a veste branca (que simboliza a glória e a imortalidade), a vela acesa (que simboliza que o novo cristão foi iluminado pelo Cristo ressuscitado) e o Pai-nosso, que recorda que o novo cristão agora é filho de Deus e pode, como Jesus, chamá-lo de Pai.
O Batismo nos dá, pela primeira vez, a graça santificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a graça recebemos o dom da Fé, da Esperança e da Caridade, assim como todas as demais virtudes, que devemos procurar proteger no nosso coração. Apaga o pecado original. Apaga os pecados atuais e todas as penas ligadas aos pecados. Imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós, filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso. Nos torna capazes de receber os outros Sacramentos.
É verdade que a Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para a entrada na Glória eterna; é por isso que cuida de não negligenciar a missão de batizar, que recebeu do Senhor. No entanto, Deus, que ligou a salvação ao sacramento do Batismo, ele mesmo não está ligado a seus sacramentos. Assim, a Igreja sabendo que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4), crê firmemente que aqueles que, sem culpa, não chegaram a abraçara fé cristã nem pedir o Batismo e tenham vivido retamente de acordo com sua consciência, podem receber a salvação de Cristo por meios que somente Deus conhece. Ao invés, é certo que não se salva aquele que, sabendo que Cristo é a Verdade e a Salvação e que na Igreja católica subsiste a Igreja de Cristo, no entanto não pede o Batismo!
Quanto às crianças mortas sem o Batismo, se por um lado já nascem feridas pelo pecado original, também já nascem marcadas pela salvação que Cristo trouxe para todos, pois “não acontece com o dom o mesmo que com a falta. Se pela falta de um só todos morreram, com muito maior profusão a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos” (Rm 5,15).
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